São 20h de uma sexta-feira, e você está dirigindo para casa. De repente, recebe uma mensagem no celular. Você desvia a atenção do trânsito e vê que é do seu chefe. O coração dispara, a boca seca. Você não pode ler enquanto dirige, mas na primeira oportunidade, para no acostamento e confere: “Estou numa reunião e preciso do indicador X”. Imediatamente responde que vai encontrar um local seguro para estacionar. Dirige mais alguns minutos, sente a preocupação aumentar e, finalmente, para o carro. A resposta vem: “Não precisa mais, recorri a outra pessoa.” A sensação? Frustração, rubor no rosto e suor. Quem nunca passou por isso?
Agora, imagine o impacto que essa situação tem na saúde mental: um estado constante de alerta, medo de não corresponder às expectativas. Imagine isso se repetindo, dia após dia, ano após ano.
A tecnologia, relativamente recente na nossa história, mudou radicalmente a forma como vivemos. Faz 25 anos que tive meu primeiro celular. As gerações X e Y são as primeiras a conviver com essa transformação e a realidade da hiperconexão. Somos aprendizes — e estamos pagando o preço.
Já a geração Z normalizou essa hiperconexão: na vida pessoal, no trabalho, nos relacionamentos. O celular virou extensão do corpo, presente o tempo todo. E a escuta ativa? Tornou-se artigo de luxo.
Esse é o “novo normal”, mas isso não significa que estejam bem. Pelo contrário: estudos mostram que as gerações mais jovens enfrentam um aumento significativo de transtornos mentais em relação às anteriores.
Por isso, é fundamental avançar em processos e culturas que respeitem o Direito à Desconexão. Mais de 20 países, especialmente na Europa e América Latina, já possuem leis para proteger os trabalhadores.
No Brasil, embora a legislação trabalhista ainda não trate diretamente do tema, os tribunais têm reconhecido esses direitos com base em princípios constitucionais, partindo da premissa de que o trabalhador tem direito ao uso livre do seu tempo fora do expediente.
Além disso, está em tramitação o PL 4579/2023, que trata do direito à desconexão para empregados que atuam em regime de teletrabalho ou atividades à distância.
Temas como a redução da jornada de trabalho — também em debate como proposta de emenda constitucional — e o Direito à Desconexão são essenciais para garantir a saúde mental e o equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
E você? Como tem lidado com a hiperconexão? Sua empresa promove a desconexão ou ainda enfrenta desafios? Compartilhe nos comentários.